Webinar internacional promovido pela febraban, em parceria com o banco de compensações internacionais (bis) e o banco central, discute a sustentabilidade com foco do setor bancário

O Banco Central (BC) anunciou em setembro a inclusão da dimensão sustentabilidade na agenda institucional BC#. Em paralelo, os três maiores bancos privados do país —Itaú, Bradesco e Santander— firmaram recentemente um Plano e um conselho consultivo em prol da Amazônia e têm destinado recursos para preservação da maior floresta tropical do mundo.

Essas duas ações recentes, somadas a diversos outros investimentos e iniciativas, ilustram quanto o tema da sustentabilidade e a busca por uma economia mais verde têm ganhado atenção no setor financeiro e no mercado como um todo.

O presidente da FEBRABAN, Isaac Sidney, lembrou que a pandemia de covid-19 mostrou o quanto o mundo é vulnerável a fatores naturais e deixou ainda mais claro que devemos ter atitudes positivas em relação ao meio ambiente.

O executivo ressaltou que o setor financeiro está atento à necessidade do desenvolvimento sustentável e, agora, tem a grande chance de alavancar iniciativas que endereçam os riscos socioambientais e climáticos, bem como as que promovem oportunidades aos clientes e ao mercado, alinhadas à conjuntura internacional.

“Os aspectos ASG já impactam diretamente o fluxo e desempenho financeiro das empresas e isso torna o momento mais desafiador. Os bancos financiam as principais cadeias produtivas do país e precisam continuar estimulando ações para desenvolver uma economia cada vez mais sustentável”, destacou Sidney, ao citar a sigla ASG, que representa a tradução de ESG (Ambiental, Social e Governança; em tradução livre para o português), três fatores que medem os níveis de sustentabilidade e impacto social de companhias.

Luiz Pereira, vice-diretor geral do BIS, citou o exemplo de um cisne verde como característica desses riscos globais que a mudança climática traz. “Cisnes verdes porque são eventos extremos, raros, mas que têm hoje em dia uma quase certeza de se manifestar e grande capacidade de destruição”, explicou.

Pereira acredita que o potencial de crescimento da agenda verde representa uma grande oportunidade para o Brasil. Tese corroborada por Murilo Portugal, ex-presidente da FEBRABAN, que apresentou alguns números que mostram esse potencial. “O Brasil se encontra em uma boa posição no processo de transição para uma economia mais verde”, disse Portugal.

O executivo destacou que 46% da matriz energética do país já é de energia renovável, enquanto a média global é de 14%. Em termos de produção de eletricidade, 83% vêm de fonte renovável, enquanto a média mundial é de 22%. Sendo um país populoso, o Brasil está em 7º lugar em termos de emissão de gases estufa, índice sete vezes menor que a China e três vezes menor que os EUA. Além disso, outro importante dado é que 61,5% do nosso território é coberto por florestas. “O Brasil é um país tão grande e rico em recursos naturais e tem muitas oportunidades nesta área; estamos apenas começando.”

Já Denise Pavarina, vice-chair da TCFD - Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TFCD - Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima), diz que o Brasil tem a oportunidade de protagonizar o movimento verde do mundo. “A gente pratica uma série de movimentos relevantes, nossa matriz de energia é limpa, temos instituições que desenvolvem tecnologias para melhorar a eficiência, temos florestas maravilhosas”, disse a executiva, que é uma das líderes da força-tarefa que reúne organizações em todo o mundo com foco no desenvolvimento de recomendações e padrões para que empresas possam medir e divulgar os riscos financeiros relacionados ao clima.