Banco Central dá mais um importante passo

Durante sua participação no evento, Fernanda Nechio, diretora de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, elencou os principais pilares da dimensão sustentabilidade na agenda institucional do BC, que inclui desde campanhas internas de conscientização ambiental e incorporação de cenários de riscos climáticos em testes de estresse do BC, até a adoção de medidas mais abrangentes, como a criação de uma linha financeira de liquidez sustentável para instituições bancárias.

“Apesar da crise, em nenhum momento atrasamos ou deixamos de implementar nossa agenda estratégica; pelo contrário, por causa da crise achamos importante acelerar e intensificar a agenda estratégica”, disse Fernanda, que citou também iniciativas como o novo sistema de pagamentos instantâneos Pix e o open banking, que incluem a pauta das novidades do BC neste ano.

Fernanda ressaltou que o tema socioambiental está em franco desenvolvimento no setor, mas lembrou que as ações neste sentido no BC vêm desde 1995, quando foi lançada a primeira diretriz. Ao longo destes anos, diz, a crescente interação do BC com as instituições financeiras foi e tem sido importante para determinar a evolução da atuação do BC, bem como minimizar os efeitos dos riscos climáticos no sistema financeiro.

Em 2014, por exemplo, o BC publicou a Resolução sobre a Política de Responsabilidade Socioambiental, marco regulatório que ganhou amplo reconhecimento internacional. Três anos depois, em 2017, o BC editou a Resolução sobre Gerenciamento Integrado de Riscos, incluindo o componente socioambiental.

Toda essa preocupação dos Bancos Centrais, não só do Brasil, mas de todo o mundo, com o tema sustentabilidade, se dá porque os riscos climáticos, como explica Fernanda, causam mudanças estruturais na economia. “Os Bancos Centrais têm como objetivo assegurar a estabilidade de preços e garantir a solidez financeira. Choques climáticos afetam preços relativos, portanto afetam nossos processos de decisões políticas monetárias; esses eventos externos põem em risco o sistema financeiro nacional”, explicou.


Iniciativas da FEBRABAN

Como intermediadores de recursos entre os diferentes agentes econômicos, as instituições bancárias cumprem um papel importante no direcionamento de capital para projetos e atividades que contribuam para o desenvolvimento sustentável.

Principal entidade representativa do setor bancário no Brasil, a FEBRABAN tem dedicado esforços no assunto sustentabilidade e desenvolve importantes projetos que procuram alinhar a atuação às principais referências e acordos vigentes sobre o tema. Entre as referências, a Federação cita os compromissos assumidos pelo país no âmbito da Convenção do Clima (Acordo de Paris) e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), ambas iniciativas das Nações Unidas, além da Força Tarefa do Financial Stability Board (FSB) sobre divulgação de informações financeiras associadas às mudanças climáticas, que tem a adesão formal da entidade.

Sidney destacou o normativo de autorregulação socioambiental da FEBRABAN, publicado em 2014. Agora, seis anos depois, essa agenda evoluiu tanto no âmbito do Banco Central, com a dimensão de sustentabilidade da Agenda BC#, como do ponto de vista voluntário “Estamos aperfeiçoando o normativo de autorregulação socioambiental da FEBRABAN para incorporar temas relevantes, a exemplo da questão climática e outros aspectos ASG, incorporando isso ao core business do setor”, comentou.

“Há cerca de cinco anos a FEBRABAN também vem desenvolvendo um trabalho relevante para mensurar os saldos dos financiamentos por atividades econômicas, caracterizados sob a ótica socioambiental e climática; isso permite que consigamos identificar os fluxos de crédito para economia verde, assim para os setores com maior exposição ao risco ambiental”, disse o executivo, que citou também que a FEBRABAN conta com uma Comissão de Sustentabilidade formada por representantes de aproximadamente 30 instituições.

Essa estrutura foi iniciada por Portugal, que presidiu a FEBRABAN de 2011 até março de 2020, período em que acompanhou diversas iniciativas voluntárias do setor em prol da sustentabilidade, como em 2003, quando a Bolsa de Valores no Brasil emitiu o primeiro índice sustentabilidade empresarial que incluía apenas empresas e bancos que consideravam critérios ambientais. Ao longo destes anos, a FEBRABAN publicou inúmeros relatórios sobre o tema, disponíveis no site da Federação, bem como desenvolve importantes programas de treinamento por meio do seu Instituto FEBRABAN de Educação, o Infi.

Portugal ressalta que a atitude do setor bancário em relação às questões ambientais mudou nesse período, deixando de ser uma abordagem passiva, de apenas tentar não prejudicar, para ações mais ativas. “A atitude era de cumprir as regulamentações ambientais para evitar problemas. Mais recentemente movemos dessa abordagem de não prejudicar para fazer o correto; não só cumprindo as regulamentações, mas aumentando o financiamento da economia verde.”

“Embora o setor bancário tenha atuado de forma responsável e sustentável nos últimos anos, entendemos que há muito ainda a ser feito. Estamos dando suporte aos bancos associados nas melhores práticas do mercado, primamos pelo comportamento ético e acreditamos que a retomada econômica pós-crise precisa ser sustentável e inclusiva”, completou Sidney.