Os especialistas que participaram do 57º Café com Sustentabilidade FEBRABAN concordam que o Brasil tem boa capacitação técnica e engenharia confiável no que se refere à segurança de barragens. Porém, a grande discussão é como esse conhecimento técnico será utilizado pelo tomador de decisão nos momentos críticos. As barragens falam: as estruturas, quando minimamente comprometidas, dão sinais prévios de que há problemas, e cabe às empresas de mineração, prestadores de serviços e órgãos responsáveis pela fiscalização darem ouvidos a esses alertas prévios. Nos casos mais recentes e drásticos de rompimentos de barragens, houve insuficiência de apreciação do real risco nos momentos críticos de tomada de decisão, e as consequências foram desastrosas para toda a sociedade.

As instituições financeiras devem estar ainda mais atentas aos parâmetros de segurança das barragens e também às mudanças na legislação e aos padrões internacionais. O Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM, na sigla em inglês), por exemplo, trabalha em um novo padrão internacional para barragens de rejeitos, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA ) e os Princípios para o Investimento Responsável (PRI), previsto para ser lançado até o final de 2019. A iniciativa levará em consideração a experiência brasileira com o tema, então novos elementos deverão somar-se ao arsenal de ferramentas para análise de risco socioambiental dos bancos.