As barragens de rejeitos são, em todo o mundo, o principal meio de armazenar os resíduos do processo de mineração – estimativas apontam que existam cerca de 3.500 barragens em todo o mundo. No Brasil, são 790 estruturas com essa finalidade: o tema vem ganhando repercussão desde 2015 em razão dos iminentes riscos do armazenamento de rejeitos e acendeu um sinal de alerta para toda a sociedade, incluindo bancos e agentes financeiros, sobre o gerenciamento desses riscos.

Pela segunda vez a gestão dos riscos das barragens de rejeitos da mineração foi tema do Café com Sustentabilidade FEBRABAN. Abordamos o assunto primeiramente na 46ª Edição, realizada em abril de 2016, e voltamos a ele em maio de 2019, nesta 57ª Edição. A expectativa é de que este debate nos ajude, enquanto instituições financeiras, a compreender melhor o tema e a nos preparar para lidarmos com suas peculiaridades nas análises de riscos socioambientais.

Com especialistas do mercado, academia e instituições financeiras, o Café com Sustentabilidade FEBRABAN discutiu as atualizações da legislação aplicáveis às barragens de rejeitos em curso desde 2015, as tecnologias de disposição de rejeitos de mineração hoje disponíveis, os impactos para as comunidades no entorno, os principais avanços na gestão dos riscos para os bancos e as perspectivas futuras, face ao desafio da descaracterização das barragens ao fim de sua vida útil e também o impacto das mudanças climáticas nessas estruturas.

Sendo a mineração uma atividade econômica de suma importância para o Brasil e com riscos inerentes, é preciso tratar do tema com toda a diligência possível e também orientar as instituições financeiras sobre como reduzir seus próprios riscos em relação à segurança das barragens. O olhar que se propõe é no futuro, com vistas a melhores tomadas de decisão de crédito e o fomento a práticas sustentáveis no setor.

Boa leitura.
Mário Sérgio Vasconcelos - Diretor de Sustentabilidade e Marketing da FEBRABAN