A transição da atual economia intensiva em carbono, insustentável a médio e longo prazo, para a economia de baixo carbono precisa ser feita de forma suave, de modo a evitar abalos sistêmicos que levem a perdas financeiras significativas. A crise de 2008 mostrou como um risco mal gerenciado pode se irradiar pelo mundo inteiro e trazer consequências desastrosas para todos. Por essas razões, é necessário que as empresas e o setor financeiro construam a transição necessária para que os impactos das mudanças climáticas sejam mitigados e administrados.

Para antever e mitigar riscos para a economia global, o Financial Stability Board (FSB), órgão ligado ao grupo de nações do G20, publicou em 2017 um conjunto de recomendações para que empresas e setor financeiro divulguem informações sobre os impactos das mudanças climáticas em seus negócios. Esse foi o principal resultado da TCFD (TaskForce on Climate related Financial Disclosures), força-tarefa criada em dezembro de 2015 com o objetivo de dar orientações para que empresas dos setores financeiro e não financeiro considerem os riscos e oportunidades decorrentes das mudanças climáticas.

A iniciativa já engajou 580 organizações globais, entre bancos, seguradoras, gestores de recursos e bolsas de valores. Após publicar as recomendações, a força-tarefa estabeleceu um horizonte tentativo de cinco anos, a partir de 2017, para que fossem incorporadas pelas instituições financeiras e outras empresas.

Para auxiliar nessa tarefa, a FEBRABAN apresentou durante a 56ª edição do Café com Sustentabilidade um plano de ações para ajudar as instituições financeiras a cumprir as recomendações da TCFD. Esse roteiro é fruto de um grupo de trabalho conduzido pela FEBRABAN com a SITAWI Finanças do Bem e 11 instituições financeiras, que mergulhou nas recomendações e desenhou ferramentas importantes, que darão um norte para o disclosure dessas informações.

Os bancos terão o desafio de analisar suas carteiras de crédito e portfólios de investimento à luz de cenários climáticos, com estratégias de médio e longo prazo. No Brasil, onde a mentalidade de curto prazo sempre sobressaiu em razão do nosso histórico de hiperinflação, será uma grande tarefa assumir um planejamento visando cenários futuros. A análise de portfólios precisa começar: o roteiro está posto, agora passaremos à fase de implementação.

Boa leitura.
Mário Sérgio Vasconcelos - Diretor de Sustentabilidade e Marketing da FEBRABAN