A energia solar fotovoltaica cresce exponencialmente no mundo todo por uma série de razões. Entre elas, proporciona segurança energética, gera empregos e reduz as emissões de gases de efeito estufa. Não é por acaso que a fonte solar fotovoltaica em geração distribuída, que hoje representa 0,8% do total da potência instalada em operação no Brasil, pode chegar a 20% da matriz em 2040, segundo estimativa da Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Para tanto, é necessário resolver gargalos importantes, tais como as dificuldades para ampliar e dar escala aos financiamentos a essa fonte, limpa e abundante por natureza.

Para responder a essas questões, a FEBRABAN vem se debruçando sobre o tema nos últimos três anos: encomendou ao Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces) o estudo que foi apresentado durante a 55ª edição do Café com Sustentabilidade FEBRABAN, "Financiamento para Energia Solar Fotovoltaica em Geração Distribuída no Brasil", realizado em parceria com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O trabalho identificou as principais barreiras e propôs alternativas para aumentar o potencial de financiamento a essa fonte de energia. Para isso, foi criado um modelo de análise integrada de risco, que poderá ser usado pelas instituições financeiras na avaliação dos projetos de energia solar fotovoltaica.

A esse trabalho, somaram-se esforços importantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que, por meio de alguns bancos, vem testando o modelo desenvolvido pelo estudo do FGVces e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A ABNT ficou responsável em padronizar os requerimentos técnicos para os projetos, assegurando sua qualidade, o que trará maior confiança aos potenciais consumidores, pessoas e empresas, desta importante fonte renovável.

Desde 2014 a FEBRABAN levanta o volume de empréstimos destinados à economia verde nos bancos, o que inclui as energias renováveis, que sempre tiveram um percentual baixo de financiamento. Para que esse mercado se desenvolva, é preciso ir muito além do subsídio já existente: é imperativo que soluções de mercado se mantenham de pé, sejam financeiramente sustentáveis e tragam resultados ambientais positivos. Com as soluções apontadas nos estudos, principalmente a validação da análise integrada de risco (combinação entre o risco do projeto e o risco do tomador de crédito), cabe ao mercado, aos produtores de energia solar fotovoltaica, implementadores, distribuidores, técnicos e ao setor financeiro fazer com os financiamentos cresçam substancialmente.

Boa leitura.
Mário Sérgio Vasconcelos - diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN