Renata Rocha

Seguro de eficiência energética da ABNT atenderá também segmento de fotovoltaica

Quando se fala em ABNT, logo se pensa nas normas técnicas. Fundada em 1940, a entidade privada e sem fins lucrativos é a responsável pela elaboração das normas brasileiras (ABNT NBR) e desde a década seguinte é também o Organismo de Avaliação da Conformidade acreditado para fazer certificação de produtos, serviços, sistemas de gestão e, mais recentemente, inventários de gases de efeito estufa. O papel da ABNT Certificadora foi atuar como entidade para definir claramente os requerimentos para os projetos técnicos de geração distribuída da energia solar fotovoltaica, com vistas a uma futura certificação.

No programa Energy Savings Insurance (ESI), criado pelo BID e atualmente em piloto com bancos de fomento, a ABNT Certificadora aplicará a metodologia para validação do projeto. De acordo com Renata Menezes Rocha, técnica da área de sustentabilidade da ABNT Certificadora, a metodologia foi baseada em normais internacionais: ISO 50001 (sistema de gestão de energia), ISO 50006 (medição da linha de base dos indicadores de desempenho energético) e ISO 50015 (medição e verificação da performance de energia). A metodologia prevê tecnologias voltadas à eficiência energética (retrofit, troca de equipamentos), bem como para novas tecnologias, entre elas a energia solar fotovoltaica. Este trabalho, em parceria com o BID, ABSOLAR e FEBRABAN, também está em fase de testes.

"Apesar de ser tecnologia de geração e não de eficiência energética, foi possível adaptar a linha de base para calcular e fazer as medições"

Renata Rocha, ABNT

O projeto inicia com a certificação do provedor, na sequência a validação do projeto e, por fim, a verificação da instalação. O provedor da tecnologia deve procurar a ABNT para obter a certificação. As informações dos provedores certificados serão reunidas em um portal específico, em construção, que auxiliará os bancos em suas análises de riscos. A partir de análise documental, a ABNT valida o projeto, avaliando questões técnicas do empreendimento. Na última etapa ocorre verificação da instalação in loco pela ABNT, em uma vistoria que avalia se todos os equipamentos foram montados da forma prevista no desenho do projeto.

Para estimular o mercado de geração distribuída de energia solar fotovoltaica, a ABNT pretende simplificar o processo, segundo Rocha. "Uma das preocupações da ABNT foi não tornar o processo inviável em termos de custo. Por isso a análise será feita via documentação dos provedores de tecnologia," explica. Entre os documentos requeridos, estão comprovantes da constituição legal da empresa, ART (Atestado de Responsabilidade Técnica) da empresa e do profissional que assina o projeto; experiência prévia e projetos já desenvolvidos; relação da equipe de fornecedores – de equipamentos, logística e transporte; de instalação e medição; certificações dos produtos com base nas normas brasileiras, como selos de qualidade e eficiência energética (Inmetro) como garantia do equipamento, não só do provedor. A partir dessas informações, será gerado um certificado para o provedor, com validade de dois anos. A metodologia poderá ser revista e aperfeiçoada conforme o mercado se atualizar, com incrementos nos procedimentos de certificação.