O novo Código Florestal (Lei 12.651/12) exige a recuperação da vegetação nativa em mais de 20 milhões de hectares que sofreram desmatamentos ao longo das últimas décadas. Os passivos ambientais demandam investimentos e representam um mercado potencial da ordem de R$ 69 bilhões, considerando o financiamento em apenas 25% da área total a ser recomposta. Os custos do reflorestamento não são desprezíveis e a exploração econômica da Reserva Legal, como permitido pelo novo Código Florestal, pode contribuir para melhorar o fluxo de caixa das propriedades.

Esse é um dos principais achados do estudo realizado pela FEBRABAN em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces "Financiamento de recomposição florestal com exploração econômica da Reserva Legal", apresentado durante a 54ª edição do Café com Sustentabilidade. O trabalho buscou identificar modelos para o financiamento da recomposição florestal em áreas de Reserva Legal onde há possibilidade de exploração econômica, por meio de análises e modelagens para 69 municípios de três estados (Mato Grosso, São Paulo e Paraná). O estudo levantou potenciais regiões e clientes para atuação dos bancos nesse mercado, e pesquisadores foram a campo para entender as dificuldades que os produtores de cana-de-açúcar, soja e pecuária bovina enfrentam para realizar o reflorestamento.

O tema é relevante, considerando-se a necessidade de cumprimento do Código Florestal, os compromissos assumidos pelo Brasil e também em razão de nossa estrutura fundiária: um dado da Esalq/USP aponta que, só em São Paulo, a restauração dos passivos ambientais se resolveria com 12% das propriedades do Estado – os esforços devem recair, portanto, sobre os grandes produtores rurais. Além da apresentação do trabalho, esta edição do Café com Sustentabilidade FEBRABAN proporcionou dois painéis para discussão do tema, um deles voltado para os arranjos possíveis de restauração e outro debate explorando questões ligadas a alternativas de funding para esses projetos.

Boa leitura.
Mário Sérgio Vasconcelos - diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN