Ana Carolina Szklo

Em carta, associadas ao CEBDS apoiam mecanismo e querem estar preparadas

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma das organizações empresariais que mais têm atuado na defesa dos temas de sustentabilidade no País, especialmente na agenda das mudanças climáticas. Com 21 anos de estrada, a associação sem fins lucrativos tem interlocução próxima à alta liderança de 60 grandes empresas e representa, no Brasil, o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que reúne 200 grupos empresariais.

Ana Carolina Szklo, diretora de Desenvolvimento Institucional do CEBDS, apresentou o mais recente compromisso das associadas à instituição, a Carta Aberta: Setor Privado apoia Precificação de Carbono no Brasil, documento assinado por 26 CEOs e CFOs que defende a adoção de um mecanismo de precificação adequado às características da economia e ao perfil de emissões de gases de efeito estufa do Brasil. O compromisso foi lançado no final de 2017.

No ano anterior, durante da COP22, realizada em Marrakesh, no Marrocos, o CEBDS havia lançado um Guia de Precificação de Carbono voltado a seus membros, com o objetivo de mostrar como as empresas poderiam se posicionar em relação ao tema. Este guia rendeu alguns workshops e em abril de 2017, ocorreu uma reunião do Conselho de Líderes do CEBDS com a secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Patricia Spinoza, que trouxe provocações contundentes ao setor privado brasileiro.

“No entendimento da UNFCCC, apesar do envolvimento do Ministério da Fazenda com o programa PMR, o Brasil ainda não participava ativamente de fóruns estratégicos relacionados ao tema da precificação de carbono”

O CEBDS abraçou a ideia e, em conjunto com a Iniciativa Empresarial em Clima (IEC) e com o apoio do Banco Mundial, por meio da Carbon Pricing Leadership Coalition, o documento foi elaborado. "A ideia da Carta é levar a discussão para esferas que não são alcançadas dentro das empresas, indo além do corpo técnico, de modo que reduza a assimetria de informação sobre essa pauta entre as diferentes esferas e instâncias governamentais e empresariais", explica Szklo.

A Carta defende três pilares: a inclusão da precificação de carbono nas políticas climáticas; a criação de estruturas que apoiem o investimento em ativos de baixo carbono no Brasil, hoje e no futuro, com transparência nas finanças e investimentos; e a garantia de utilização de ferramentas e métricas que incorporem eficazmente os riscos e as oportunidades das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) nas avaliações financeiras. Os compromissos dos signatários incluem adotar a precificação interna de carbono como um instrumento para a tomada de decisão nos negócios – e sempre que possível, monitorá-los e ajustá-los; e colaborar com o setor público e outras empresas, especialmente com a cadeia de valor, por intermédio da divulgação de boas práticas, da troca de experiências e de parcerias, visando seu engajamento no debate.

O documento tem sido apresentado em vários fóruns - ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho; ao presidente da Frente Parlamentar da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, senador Jorge Viana; e em encontros no Banco Central e no Ministério da Fazenda, instâncias essenciais para desenhar os próximos passos da estratégia. "Ficou claro, no final do ano passado e início de 2018, que ainda falta informação e coordenação no governo sobre o tema, e o setor privado tem muito a contribuir", diz a diretora de Desenvolvimento Institucional do CEBDS. Segundo ela, outra estratégia em curso é o engajamento de executivos de alto nível, grupos de investidores, reguladores e cúpula da Fazenda sobre a precificação. "Esse trabalho vai gerar um relatório que será apresentado ao Banco Mundial e governo com sugestão dos próximos passos", afirmou Szklo.