Em janeiro de 2014, as Nações Unidas, por meio de seu Programa de Meio Ambiente, lançavam um iniciativa mundial com o objetivo de canalizar capitais intermediados pelo setor financeiro para acelerar a transição para a economia verde. Na época, Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN, aceitou o convite para integrar o Conselho Consultivo do projeto. Em abril daquele ano, em Washington, foi realizada a primeira reunião da iniciativa Inquiring Into Design of a Sustainable Financial System e na ocasião, Portugal apresentou sete dimensões fundamentais para a incorporação da sustentabilidade na economia mundial.

Três delas estão relacionadas com o tema que foi debatido durante a 53ª edição do Café com Sustentabilidade FEBRABAN, realizado em São Paulo em abril de 2018. A primeira dimensão é fazer com que os preços da economia reflitam questões ambientais; a segunda é educar o consumidor para valorizar a sustentabilidade e a terceira é usar subsídios, taxas e regulação para lidar com as externalidades ambientais. Esses três conceitos foram fundamentais para a discussão naquele mês de abril de 2014, na primeira reunião do Conselho Consultivo da iniciativa.

Desde a ocasião, já defendíamos que para criar fluxos de capitais consideráveis para a economia verde, seria necessário modificar os preços relativos dos bens e serviços benéficos ao meio ambiente vis a vis aqueles que não traziam benefícios ambientais. As Nações Unidas encerraram a Inquiry, que deixou um legado fundamental para o compromisso do setor financeiro internacional com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e da economia verde.

Consideramos que a precificação do carbono é fundamental para a incorporação das externalidades ambientais aos preços da economia. As emissões de gases de efeito estufa pelas atividades econômicas, ao serem precificadas de forma diferenciada de acordo com seus impactos positivos ou negativos, farão diferença nas escolhas dos consumidores, empresas, governos e sociedade. O conceito é válido para o Brasil e o mundo: sinais de preço guiam as nossas decisões sustentáveis.

A precificação induzirá o desenvolvimento de novos negócios e tecnologias que tornem os negócios mais eficientes. Isso é revolucionário: ela trará novas oportunidades para o setor financeiro e para os empreendedores, criando um círculo virtuoso de negócios. Os estudos apresentados nesta 53ª edição do Café com Sustentabilidade FEBRABAN, realizados em parceira com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces) e o Carbon Disclosure Project (CDP) são um primeiro passo para aproximar a precificação da realidade brasileira, mostrando que terá impactos e deverá ser prioridade para toda a sociedade.

Boa leitura.
Mário Sérgio Vasconcelos - diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN