A força-tarefa para o disclosure de informações financeiras sobre mudanças climáticas do FSB ganhou um aliado de peso para sua divulgação internacional: Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York e fundador da Bloomberg, a agência de notícias que é referência em informações para o mercado financeiro. O empresário e político americano foi escolhido pelo FSB para ser o chairman da iniciativa e assina a Carta de Apoio à força-tarefa, já que sustentabilidade e temas ambientais são um dos pilares de sua atuação no ramo da filantropia.

A escolha faz sentido porque a informação com transparência é a matéria-prima para melhores decisões de investimento, e com as questões socioambientais não poderia ser diferente. “Quanto mais informações ESG [sigla em inglês para ambiental, social e governança], melhores decisões de investimento serão tomadas. Isso vai gerar um ciclo em que os investidores vão exigir das empresas maior divulgação de dados”, afirmou Geraldo Coelho, diretor geral para Brasil e América Latina da Bloomberg. Nesse sentido, um dos desafios da força-tarefa é justamente a padronização das informações, já que cada país ou empresa acaba relatando seus dados ambientais de acordo com metodologias distintas.

De acordo com a agência, os dados ESG já são um balizador para investimentos – nos EUA, de cada US$ 5 investidos pelos gestores de investimentos, US$ 1 já é baseado em critérios de governança, ambientais e sociais. No mundo todo, existem 2.000 fundos cujos critérios de alocação dos recursos são 100% focados na análise ESG. A Bloomberg possui um banco de dados ESG com informações de 10 mil empresas de 60 países e 200 analistas dedicados à analise de meio ambiente e energias renováveis. No Brasil, são 75 empresas que fornecem informações sobre o tema. Outro campo pujante são os títulos verdes: a Bloomberg contabiliza mais de 1.000 emissões feitas por empresas, governos, municípios e cujos recursos levantados estão sendo investidos em projetos e atividades voltados a meio ambiente e energia limpa. Em 2015, foram aproximadamente US$ 35 bilhões em emissões; em 2016 o valor chegou a US$ 70 bilhões e este ano, a expectativa é US$ 130 bilhões sejam levantados por emissões de green bonds.

Geraldo Coelho

“Nos EUA, de cada US$ 5 investidos pelos gestores de investimentos, US$ 1 já é baseado em critérios ambientais, sociais e de governança”

Agora, a expectativa da agência de notícias é reunir empresas que assinem a Carta de Apoio à força-tarefa do FSB – no Brasil, as empresas B3, Natura, Bradesco, Fibria, Duratex, Vale e Braskem já se declararam adeptas da iniciativa – mas o objetivo é que a iniciativa tenha o poder de engajar mais de 500 companhias.