Otávio Damaso

O diretor do Banco Central do Brasil, Otavio Ribeiro Damaso, destacou a importância que a agenda socioambiental está ganhando em termos de regulação, tanto no Brasil quanto internacionalmente. “No âmbito do sistema financeiro internacional, tem havido um amplo debate em relação à sustentabilidade. Tanto sobre como financiar, como também sobre como tornar mais transparente as informações relacionadas e como identificar os riscos”, afirmou Damaso. O diretor do BC apresentou quatro iniciativas internacionais sobre o tema, com envolvimento dos reguladores financeiros e nas quais o Brasil está representado pelo Banco Central: o Green Finance Study Group, do G20, cujo objetivo é identificar o status do financiamento verde no mundo; o Sustainable Banking Network, uma rede de reguladores internacionais e de associações de bancos com apoio do IFC com o propósito de disseminar práticas, construir conhecimento e promover o diálogo global no contexto da promoção do desenvolvimento sustentável e das mudanças climáticas; a Inquiry: Design of a Sustainable Financial System, que é um knowledge sharing do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), com a proposta de identificar, difundir e promover melhores práticas e inovações regulatórias; e a força-tarefa do FSB, cujas recomendações foram apresentadas durante o 52° Café com Sustentabilidade FEBRABAN.

“O risco ambiental tem relação estreita com a estabilidade financeira, por isso a Resolução 4.327 do BC é considerada um dos primeiros marcos regulatórios socioambientais na indústria financeira em todo o mundo”

O risco socioambiental tem uma relação muito estreita, principalmente nos dias de hoje, com estabilidade financeira – sendo esta uma missão do Banco Central do Brasil. É neste contexto que a Resolução 4.327, um dos primeiros marcos regulatórios para o socioambiental na indústria financeira no mundo, foi tão importante, pois trata do tema sustentabilidade pelo prisma do gerenciamento de risco. “A Resolução 4.327 ajudou as instituições financeiras a reconhecer os riscos dessa natureza e a orientar seus negócios na relação com funcionários, clientes e demais stakeholders”, afirmou Damaso. O primeiro fruto que a regulação trouxe foi uma maior conscientização do sistema financeiro quanto aos riscos socioambientais. Um exemplo é a crise hídrica que acometeu a região metropolitana de São Paulo entre 2014 e 2015, que movimentou um amplo debate no BC e sistema financeiro sobre os impactos sistêmicos que o estresse hídrico poderia trazer para a indústria financeira, visto que a maioria das empresas tem sede na capital paulista. Agora, a preocupação com as mudanças climáticas é um desafio adicional para o setor financeiro e securitário – tanto que as questões socioambientais agora fazem parte da rotina dos processos de supervisão do BC. Endossando a fala de Murilo Portugal, presidente da FEBRABAN, Damaso concluiu sua palestra reforçando a solidez do sistema financeiro brasileiro durante o período de crise. “ Passamos por um estresse real da economia e observamos, ao longo dos três últimos anos, que o sistema financeiro brasileiro foi um amortizador da crise. Ele atravessou esse processo sem um arranhão e contribuiu para a estabilidade da economia”, afirmou.