O trabalho foi dividido em dois grandes grupos: indústria financeira e as empresas não financeiras, pois elas têm necessidades e objetivos distintos. Cada um dos grupos deve observar quatro pilares para dar suporte às informações: governança, estratégia, gestão de risco e métricas/ alvos. Em uma próxima etapa, observou Pavarina, as empresas e bancos devem procurar elaborar análises de cenários de seus negócios frente às mudanças climáticas, com o objetivo de procurar entender como eles se comportarão em cenários de aquecimento global de 1,5°C a 2°C.

Denise Pavarina apresentou as recomendações da força-tarefa do FSB sobre informações relacionadas às mudanças climáticas para uma plateia que lotou o auditório do Instituto Tomie Ohtake

“Não podemos imaginar que as empresas só vão se ajustar daqui a dez anos, já esse ajuste tem que ser feito ao longo do tempo. Bancos e investidores não podem prescindir de incluir cenários nas avaliações”

afirmou a vice-chair da força tarefa.

Do lado das empresas, será interessante que elas se organizem setorialmente para gerar essas informações. “Uma empresa do ramo do agronegócio, por exemplo, poderá ter que mudar seu local de produção se não encontrar meios de garantia de água em períodos de secas frequentes. Se essa empresa não começar a se preparar agora, o impacto no longo prazo será maior”, exemplificou. A diretora acredita que ao final de cinco anos será possível fazer uma avaliação sobre como os setores estão se preparando para enfrentar as mudanças climáticas.

Segundo o guia do FSB, as instituições financeiras também devem ser transparentes ao informar seus riscos relacionados às mudanças climáticas, sejam físicos ou da transição presentes em suas carteiras de crédito e em outros negócios de intermediação financeira. O órgão sugere que os bancos considerem a inclusão desses riscos ambientais no contexto das categorias tradicionais de riscos do setor financeiro – de crédito, de mercado, de liquidez e operacional. Outra recomendação é que os bancos forneçam o montante e percentual dos ativos relacionados a carbono em relação ao total da carteira.