Denise Pavarina

“Orientações trazem padrão para identificar e divulgar os riscos e oportunidades ligados ás mudanças climáticas”

O 52ª Café com Sustentabilidade da FEBRABAN divulgou, em primeira mão para o mercado brasileiro, as recomendações da força-tarefa do Financial Stability Board (FSB) para a divulgação de informações financeiras relacionadas às mudanças climáticas. O conjunto de orientações para que as empresas obedeçam a um padrão comum para identificar e divulgar, de forma transparente, os riscos e oportunidades ligados às mudanças climáticas e temas ambientais foi apresentado pela vice-chair da iniciativa, Denise Pavarina, que também é diretora executiva do Bradesco. Ela ressaltou o caráter de gestão de risco da iniciativa, que começou no final de 2015, após a assinatura do Acordo de Paris. “O papel da força-tarefa é incentivar todos a pensar sobre os riscos financeiros advindos dos riscos climáticos. O FSB, preocupado com o risco sistêmico do setor financeiro por conta das mudanças climáticas, iniciou uma convocação ao setor privado para que criasse padrões de divulgação de informações de maneira voluntária”, explicou ela.

As recomendações devem ser adotadas por empresas financeiras (bancos, seguradoras, gestores de recursos e detentores de ativos, como fundos de pensão e de private equity), e empresas não financeiras, especialmente de setores intensivos em uso de recursos naturais, como energia, transportes, construção, agricultura, alimentos, produtos florestais, petróleo e gás, metalurgia e químico. A força-tarefa do FSB reuniu 32 participantes de todos os continentes, incluindo investidores, bancos, agências de classificação de risco, empresas de auditoria e do setor não financeiro. O processo durou cerca de um ano e meio de trabalho e consultas públicas, até que o primeiro set de recomendações ficasse pronto, no final de junho de 2017. “O objetivo é assegurar que aqueles que financiam, investem e seguram as empresas possam avaliar melhor os riscos que correm e como se preparar para enfrenta-los, com base em informações padronizadas, transparentes, uniformes, comparáveis e consistentes ao longo do tempo”, explicou a vice chair. A iniciativa também deve ajudar as instituições financeiras e empresas a olhar para as oportunidades que advém da transição para a economia de baixo carbono. “Fala-se muito em riscos, mas naturalmente a transição para a economia de carbono também traz oportunidades”, frisou Pavarina. Uma das possibilidades é a ampliação na emissão dos green bonds com o objetivo de financiar novas tecnologias verdes e fontes renováveis de energia, além do lançamento de produtos e serviços financeiros, tais como financiamentos acoplados a temas ambientais e climáticos.

“O processo de construção das recomendações da força-tarefa levou um ano e meio e mobilizou 32 participantes de todos os continentes, representando diferentes pontos de — vista investidores, bancos, auditorias e setor não financeiro”

“É uma questão de inclusão dos riscos climáticos nas decisões estratégicas, já que o sistema financeiro tem um papel indutor muito forte na economia”, afirmou Pavarina. Segundo ela, existem exemplos de bancos e investidores institucionais no mundo todo que estão desistindo de financiar combustíveis fósseis como o carvão, o que é um sinal de que a transição para a economia de baixo carbono está “muito perto de acontecer”, e trará mudanças profundas nos modelos de negócios.